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Por décadas, o acesso ao crédito rural foi um privilégio de médios e grandes produtores com histórico nos grandes bancos. O open finance está mudando essa equação — e startups mato-grossenses estão na linha de frente dessa transformação.
O produtor familiar em MT tipicamente não tem relacionamento com banco, não tem CPF regularizado e raramente tem histórico de crédito formal. Para a análise tradicional, ele é invisível. Para o open finance, ele tem um tesouro de dados: produtividade histórica na CONAB, notas fiscais de venda de grãos, histórico de compra de insumos — tudo isso vira score de crédito.
RuralCredit MT usa APIs do open finance para compor score proprietário que combina dados agronômicos com financeiros. Em 18 meses, aprovou crédito para 1.400 produtores que jamais teriam acesso pelo canal tradicional, com inadimplência de apenas 1,8% — abaixo da média do crédito rural formal.
Campo Certo opera como plataforma de antecipação de recebíveis para produtores: o agricultor tem um CPR (Cédula de Produto Rural) com uma trading e pode antecipar esse recebível em até 90 dias sem burocracia bancária.
O Banco Central, ao abrir o open finance para o crédito rural em 2024, permitiu que fintechs acessassem dados que antes eram exclusividade dos bancos públicos. O resultado foi uma explosão de 340% no número de fintechs agro no Brasil em 18 meses — e MT tem algumas das mais avançadas do país.
"Crédito rural justo para quem produz comida é questão de soberania alimentar, não só de mercado. O open finance nos deu os dados para fazer isso de forma sustentável." — CEO da RuralCredit MT
Para 2027, a expectativa é que o volume de crédito via fintechs agro em MT supere R$ 500 milhões — representando quase 8% do crédito rural formal do estado, contra menos de 0,5% em 2023.
Carlos Mendes
15 abr 2026
Conteúdo excelente! Vejo movimentos parecidos no Cerrado mato-grossense.
Ana Beatriz Lima
16 abr 2026
Concordo, Carlos. A integração de dados é o que está mudando o jogo.
Rafael Tavares
18 abr 2026
Tenho interesse em levar a discussão para Rondonópolis. Quem topa?